Pressione Enter e depois Control mais Ponto para Audio

ALEMS: Deputados debatem recepção de alunos em escola municipal de Campo Grande

Imagem: Pedro Kemp utilizou a tribuna para falar do assunto e foi aparteado pelo deputado Zé Teixeira
Pedro Kemp utilizou a tribuna para falar do assunto e foi aparteado pelo deputado Zé Teixeira
12/02/2025 - 12:15 Por: Christiane Mesquita   Foto: Wagner Guimarães

O deputado Pedro Kemp (PT) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), durante a sessão plenária desta quarta-feira (12) para fazer um contraponto a fala de ontem sobre recepção de uma professora aos alunos em escola pública de Campo Grande. “Eu queria fazer aqui um apelo ao deputado João Henrique [PL], que abordou o tema ontem, extensivo a todos os deputados, para tomar mais cuidado de modo que não exponha as pessoas. Ano passado aconteceu aqui também, nesta Casa de Leis, denúncia contra professoras, e a pessoa ficou abalada, com depressão, por conta da sua imagem imposta, sem haver o conhecimento do todo o ocorrido”, detalhou.


Pedro Kemp abordou o assunto na tribuna da Assembleia Legislativa

Foto: Wagner Guimarães

“A professora Emy Santos é transexual e deve ser respeitada na identidade de gênero que é, diferente do sexo biológico. Respeitada como professora e artista. Ela fez uma performance com outros professores na Escola Irmâ Irma Zorzi. Ontem recebi manifestações de amigos delas e de pessoas ligadas à Cultura, indignados com o que foi falado, e de pessoas ligadas à cultura. Foi utilizado na fala de ontem um discurso que atacou publicamente a professora e artista, profissional de educação e servidora pública. É muito temeroso expor com vídeo e com imagem sem conhecer o que ela faz de sua vida e sua história. Foi uma recepção dos alunos com ludicidade e festa, uma ação pedagógica responsável e acolhedora, pensada pelas professoras que foi aqui distorcida, transformada nesta Casa de falso cunho moralista”, continuou Pedro Kemp.

O deputado ressaltou que esses tipos de discursos acabam cometendo injustiças enormes. “As crianças não sofreram nenhuma situação de constrangimento, não foi o caso dessa professora. A gente deve ter cuidado, expomos as pessoas de forma injusta. Devemos respeitar as pessoas, tentar entender as diversidades, e o melhor a fazer é conversar com elas de forma empática. É necessário fazer um esforço. E antes que uma situação se torne constrangedora, apurar sobre o assunto. Um comportamento perigoso com discurso de ódio, a pretexto de proteger as crianças só reforça o preconceito estrutural na sociedade entre as pessoas trans e LGBTQIAPN+, contribuindo para aumentar ainda mais as ações violentas contas essas pessoas”, concluiu Pedro Kemp.

O deputado João Henrique (PL) ressaltou que o motivo do vídeo foi o traje do profissional de educação. “Eu não expus em momento nenhum, na rede social da professora, quem expôs foi ela, e  a imagem disponibilizada na rede de computadores, torna-se, por lei, de domínio público. Não há preconceito de minha parte, eu sou autor de um projeto de leis para homossexuais doarem sangue para seus companheiros. Meu grande questionamento foi o traje ao receber as crianças, um questionamento puramente jurídico, se houve aprovação, se foi autorizado pelos pais, pelos diretores, se a utilização da imagem foi assinada pelosos pais? E que se houver transgressão jurídica, que seja apurado”, explicou.

O deputado Zé Teixeira (PSDB), 2º vice-presidente da Casa de Leis, disse que os exemplos fazem as crianças. “Notei assistindo a sessão online ontem que a discussão era simplesmente o traje. Sou leigo, e na minha visão, a expulsão de casa por que isso ou aquilo é falta de amor, pois nós não somos os donos da vida de nossos filhos.  Considero que a discussão de ontem foi em relação ao traje que a professora usava em sala de aula. Mas a criança hoje, o que ela vê, ela imita, tem uma facilidade em copiar, e nós somos aquilo que herdamos de exemplos na infância. Não achei traje exagerado ontem, mas sim um professor em uma universidade em Pernambuco ter dado aula sem roupa”, contou.  


Gleice Jane se posicionou contra a fala de ontem

Foto: Wagner Guimarães

A deputada Gleice Jane (PT) considera que houve na fala um preconceito nítido às pessoas trans. “Foi dito que havia pornografia, que era um absurdo, que era um ato criminoso. Expuseram as crianças mais de uma vez, para mim houve uma fala transfóbica e homofóbica que estimula o ódio e agressão. Para o que aconteceu ontem não podemos ficar em silêncio. Temos que nos manifestar contra e chamar toda a sociedade para isso. Para essas pessoas foi negado o direito de existir. A transfobia e machismo estão imprimidos neste discurso. Aqui em Mato Grosso do Sul vida de mulheres são perdidas, de mulheres cis e trans. Nada demais aconteceu naquela escola, e não tem sentido trazer para dentro das escolas esses discursos de ódio de quem não conhece a realidade das escolas. É necessário garantir o respeito. Já ouvi pelas mídias sociais que a Secretaria Municipal de Educação [SEMED] se pronunciou sobre as fantasias e roupas diferentes serem usadas como recursos

Permitida a reprodução do texto, desde que contenha a assinatura Agência ALEMS.
Crédito obrigatório para as fotografias, no formato Nome do fotógrafo/ALEMS.