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Moção de Repúdio a ministro por declarações ofensivas a brasileiros é aprovada

Imagem: A Moção de Repúdio foi aprovada por 8 votos a 7, com voto de desempate do presidente Paulo Corrêa
A Moção de Repúdio foi aprovada por 8 votos a 7, com voto de desempate do presidente Paulo Corrêa
06/02/2019 - 13:00 Por: Fernanda Kintschner   Foto: Victor Chileno

Os deputados estaduais por Mato Grosso do Sul aprovaram uma Moção de Repúdio ao ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, em razão das declarações em uma entrevista concedida à Revista Veja, em que afirma que "o brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assento salva-vidas do avião. Ele acha que sai de casa e pode carregar tudo".

A moção foi aprovada na primeira Ordem do Dia realizada na 11ª Legislatura e é de autoria do deputado Pedro Kemp (PT), que subiu à tribuna para afirmar que considerou a declaração “ofensiva, grosseira e antipatriota” – confira o documento na íntegra clicando aqui.

“Como que uma pessoa pública, ainda da pasta da Educação, se dispõe a falar isso de mim, de você, de todos os brasileiros?! Se nós não repudiarmos essa fala, nós estamos concordamos com ela. No Congresso Nacional foi apresentado pedido de comparecimento do ministro para declarar desculpas. É preciso ter respeito. Não estou contra uma pessoa ou um partido, estou contra uma fala, um ato. Não podemos aceitar essa ofensa”, ressaltou.

Marçal Filho (PSDB) concordou. “Palavras infelizes, que machucam. Não vou discutir nem a nacionalidade dele, que é colombiano, que nasceu lá e adotou nosso país como sua nação, mas já sofremos essa discriminação mundo afora, agora vamos aceitar que um ministro tome essa atitude? É preciso que o presidente [Jair Bolsonaro] reaja. Há muito tempo estamos lutando contra as ideias erradas sobre nosso país e cada vez é preciso enaltecer as qualidades”, afirmou.

Para Eduardo Rocha (MDB), não se deve generalizar. “Americano, inglês, também fazem arte. Ele tem que ir a público e se retratar, no mínimo”.  Lidio Lopes (PATRI) concordou e relembrou o ditado. “Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Vai chegar nota de repúdio do Brasil inteiro para ele”, considerou.

A moção gerou debate no plenário e os deputados Gerson Claro (PP), Capitão Contar (PSL) e João Henrique (PR) ponderaram quanto à retirada do documento da pauta de votação para aguardar as novas declarações do ministro ou do presidente.

Porém, o deputado Barbosinha (DEM) leu declarações posteriores do ministro à imprensa, que teria tentado se justificar falando que foram sobre um grupo de jovens. “Ou seja, declarações pífias, então devemos votar sim”, defendeu.

A Moção de Repúdio foi aprovada por 8 votos a 7, com voto de desempate do presidente Paulo Corrêa (PSDB), que votou pela aprovação. Indicações e requerimentos apresentados na sessão anterior também foram aprovados.

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