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40 Anos ALMS: O passado da Casa na memória de servidores

Imagem: Área de acesso ao saguão da Assembleia Legislativa; passado da Casa reside na memória de antigos servidores
Área de acesso ao saguão da Assembleia Legislativa; passado da Casa reside na memória de antigos servidores
30/07/2019 - 08:00 Por: Osvaldo Júnior   Foto: Wagner Guimarães e Arquivo ALMS

A história é viva, porque é feita de gente e nutrida por memórias. E isso é ainda mais evidente quando a história é, relativamente, recente, como a do Legislativo de Mato Grosso do Sul, tão jovem em seus quarenta quanto o próprio Estado. Acontecimentos dessas quatro décadas estão guardados, com certa clareza ou turvamento, nas lembranças dos primeiros servidores da Casa de Leis, como a cerimonialista Severina da Silva e o biblioteconomista Nailor Vargas Marcondes de Souza.

Severina, um arquivo histórico orgânico, testemunhou (e ajudou no parto) o nascimento de Mato Grosso do Sul e da Assembleia Legislativa. Ela estava entre as tantas pessoas que lotaram o Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande, na manhã do dia 1º de janeiro de 1979, uma segunda-feira, para participar da solenidade de instalação do Estado e da posse do primeiro governador e dos primeiros deputados. Não só estava, como também trabalhou na cerimônia. E no decorrer desses quarenta anos, ajudou ou esteve à frente do cerimonial das solenidades de posse de todos os governadores e de todos os deputados de Mato Grosso do Sul.

Da memória da Severina, é possível extrair conteúdo para bom número de livros. Mas ela não confia apenas nas lembranças. Tem outros tipos de registros: fotos, documentos e diversos recortes de jornais e revistas, colados em velhos cadernos de anotações de atas. Foi folheando um desses cadernos que a cerimoliatista cedeu a entrevista, falando num misto de nostalgia e precisão de datas e acontecimentos.



Severina, arquivo vivo, está na Assembleia Legislativa desde sua criação




Com a ajuda das fotos, das matérias dos jornais e da memória, Severina viajou até 1979 e trouxe de lá uma Assembleia improvisada nas dependências da Missão Salesiana, nas imediações da Praça do Rádio, em Campo Grande. “Ficamos lá durante a primeira legislatura e em parte da segunda. Mudamos pra cá [no Parque dos Poderes] em 1986, no recesso do meio do ano”, contou. “Tem uma reportagem sobre isso”, acrescentou, mostrando uma notícia do jornal Correio do Estado, de 18 de julho de 1986, que informava da mudança de endereço do Parlamento, iniciada no dia 12 daquele mês. “Não mudou todo mundo de uma vez. Primeiro, veio o Departamento Pessoal; depois, o Financeiro. Aí foram vindo os demais”, recorda-se.


Mudança para o novo prédio ocorreu em 1986

Nailor, que também trabalhou no antigo endereço, inicialmente como office-boy, lembra-se de que não ficavam todos no mesmo local. “Era fragmentado. Cada diretoria ficava em um prédio. Eram casas na Barão, Pedro Celestino, Dom Aquino...”, detalha em referência às ruas que fazem parte de quarteirão, onde está a Missão Salesiana. Foi nesse espaço que Nailor encontrou o seu primeiro emprego, aos 16 anos.

Depois da mudança de endereço, havia um problema a ser resolvido: o transporte dos servidores, dificultado pela distância e isolamento do Parque dos Poderes. Foram locados pela Casa de Leis dois ônibus, conforme se recorda Nailor. Ele conta que, em razão da precariedade dos veículos, era preciso, algumas vezes, os passageiros descerem para empurrá-los. “Havia essas coisas, mas o importante é que não nos deixaram sem transporte”, pondera.

É o velho caderno de Severina que, novamente, precisa as datas e os fatos. A cerimonialista mostra uma nota do jornal Edição Extra, de 12 de novembro de 1987. O início da matéria diz: “Já estão circulando os dois ônibus adquiridos pela Assembleia Legislativa, para transportar seus servidores, proporcionando-lhes assim maior conforto, segurança e rapidez”. Os veículos foram adquiridos na terceira legislatura, durante a presidência de Jonatan Barbosa (PMDB).


Ônibus adquiridos para transportar servidores da Assembleia

Nas lembranças dos servidores, também reside o passado tecnológico da Assembleia, com características próprias para cada época. Objetos, hoje artigos de museu, são remorados por Nailor e Severina, como máquinas de telex e de datilografia. Nos dias atuais são antiguidades, mas nos anos 80, eram novidades que a maioria das pessoas ainda não tinha acesso. E um marco (para o período) das inovações foi a chegada da internet, algo que, atualmente, está arraigado no cotidiano das pessoas. No velho caderno da Severina, há uma matéria do jornal Correio do Estado, de 6 de dezembro de 1996, com o título “Assembléia Legislativa integrada à Internet”, definindo a internet como “a mais avançada tecnologia de comunicação por computador do mundo”.

Além das transformações de infraestrutura e tecnológicas, as quatro décadas de Assembleia são marcadas por ações de valorização dos servidores. “A Casa dá incentivo ao estudo”, afirma Nailor, referindo-se ao auxílio educação. “Fiz minhas duas faculdades e minha pós com essa ajuda. A Casa pagava cinquenta por cento do valor da mensalidade”, conta. “Outra coisa: também houve aqui curso de ensino fundamental e médio para os funcionários completarem seus estudos. As aulas eram aqui mesmo na Assembleia”, lembra-se.

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