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Frente buscará organizar leis e acessar recursos para unidades de conservação

Imagem: Reunião tratou sobre diversas questões relacionadas às unidades de conservação de Mato Grosso do Sul
Reunião tratou sobre diversas questões relacionadas às unidades de conservação de Mato Grosso do Sul
10/09/2019 - 18:15 Por: Osvaldo Júnior   Foto: Wagner Guimarães

Elaboração de plano de ação, sistematização da legislação relativa a Unidades de Conservação (UCs) e discussão de meios para utilização de recursos de compensação ambiental. Esses foram os principais encaminhamentos decididos durante reunião da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento das Unidades de Conservação Ambiental, realizada na tarde desta terça-feira (10) no Plenarinho Deputado Nelito Câmara, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). O encontro foi presidido pelo deputado Renato Câmara (MDB), coordenador do grupo de trabalho.

Em Mato Grosso do Sul, há 126 unidades de conservação, das quais 50 são estaduais, 16, federais e 60, municipais, conforme informou o turismólogo Leonardo Tostes Palma, gerente das Unidades de Conservação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). São parques, monumentos naturais e Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que podem ser usados, dependendo de cada situação, para o turismo ecológico, pesquisas científicas, educação ambiental e recreação.


Deputado Renato Câmara presidiu a reunião desta tarde

O turismólogo discorreu sobre o arcabouço legal relativo às UCs. São 42 normativas federais e estaduais, entre decretos, resoluções, leis, portarias e leis complementares, referentes às unidades de Mato Grosso do Sul. Esses instrumentos, entre outras disposições, criam unidades de conservação estaduais, tratam sobre compensação de reserva legal, conselhos gestores, planos de manejo, fiscalização, compensação ambiental, pesquisa, uso público, voluntariado, cadastro estadual, reservas da biosfera e reconhecimento das categorias de unidades.

Conforme Palma, é preciso maior coesão entre os instrumentos legais. “Nossa ideia é que possamos criar uma base legal para que essas legislações conversem entre si. Desde 1999, estamos discutindo a proposta de um sistema estadual”, afirmou o turismólogo, referindo-se à normativa para Mato Grosso do Sul, como a que já existe em nível federal: o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), instituído pela Lei 9.985/2000.

Parque Estadual de Ivinhema: riqueza à espera de regulamentação

Entre as questões legais, referentes às UCs, que precisam avançar em Mato Grosso do Sul, está a regulamentação de atividades nesses locais. Quanto a esse assunto, Reginaldo Oliveira, chefe do Parque Estadual do Ivinhema, proferiu palestra sobre a situação dessa unidade específica. Ele afirmou que o parque, que tem 73,34 mil hectares, abrangendo os municípios de Jateí, Naviraí e Taquarussu, precisa de portaria que regulamente sua utilização.


Leonardo Tostes Palma palestrou sobre unidades do Estado

Conforme Oliveira, há, no local, rica diversidade de espécies. “Quase todos os animais da fauna de Mato Grosso do Sul podem ser encontrados no parque, como, por exemplo, cervo, onça-pintada, onça-parda, lobo-guará, veado campeiro, centenas de aves e vários répteis", disse. Essa riqueza, segundo ele, possibilita, além do turismo, realização de muitas pesquisas, o que ainda não ocorre. “Dentro do nosso limite, damos apoio às pesquisas”, disse, mencionando que recebeu pedido de pesquisador que estudará borboletas da região. “Quanto ao turismo, é possível apreciar os animais, contemplar toda beleza natural, o por-do-sol, os rios”, listou. É necessária, no entanto, portaria que regulamente a visitação e possibilite o avanço do uso do parque.

Outro assunto discutido foi o Cadastro Ambiental Rural (CAR), levantamento georrefencial do imóvel para delimitação de áreas de proteção e reserva legal. Esse trâmite também impacta sobre a regulamentação de unidades de conservação. Foi, ainda, informado, no encontro, que há recursos expressivos, que poderiam ser destinados às UCs do Estado. Trata-se de dinheiro de fundo, originado de valores de compensação ambiental, que estaria parado há anos.  

Encaminhamentos

No encontro, foram apontados problemas, mas também discutidos caminhos para solução. Entre os encaminhamentos, ficou acordada a criação de dois grupos de trabalho. Um dos grupos irá tratar de questões legais, com ajuda do jurídico da Casa de Leis e possível contribuição da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O objetivo é sistematizar o corpo de leis referentes às unidades de conservação. O outro grupo discutirá meios para utilização do recurso do fundo de compensação ambiental.

Também foi proposto e aceito como encaminhamento a elaboração de um plano de ação da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento das Unidades de Conservação Ambiental. “É uma ideia bastante interessante”, elogiou o deputado Renato Câmara. O parlamentar também disse aos integrantes da Frente que outras propostas podem ser enviadas via e-mail para serem discutidas na próxima reunião.

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