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Sextou na ALEMS aborda a relevância do autocuidado psicológico entre os servidores

Imagem: Saúde psicológica foi tema do Projeto Sextou na ALEMS, coordenado pela Escola do Legislativo
Saúde psicológica foi tema do Projeto Sextou na ALEMS, coordenado pela Escola do Legislativo
08/11/2019 - 11:31 Por: Christiane Mesquita   Foto: Luciana Nassar


Servidores presentes nesta edição do Projeto Sextou na ALEMS

O tema do Projeto Sextou na ALEMS, da Escola do Legislativo Senador Ramez Tebet, realizado nesta manhã (6), no Plenarinho Deputado Nelito Câmara, foi “A importância do autocuidado entre servidores”. A palestra foi ministrada por duas profissionais que utilizam a abordagem junguiana em seus consultórios, a psicoterapeuta Mariana G. Manfrinato de Camargo e a psicóloga clínica Gabriela Silva Molento, também pós-graduada na área (psicologia junguiana). O deputado estadual João Henrique (PL) também prestigiou o evento. 

Mariana de Camargo explicou a ideia principal sobre o autocuidado entre pessoas que convivem diariamente. “Atualmente temos nos distanciado muito da questão dos nossos sentimentos, do nosso emocional, e levando isso para o nosso racional. Quando temos um problema procuramos resolver logo, fazendo tudo com muita pressa, e Carl G. Jung já falava disso, que todos nós temos um tempo para o processamento de qualquer fato, assim como a natureza tem um tempo de amadurecimento e crescimento até dar frutos. Não viver esse processo nos traz conseqüências, é necessário prestar atenção nisso. Ninguém espera o ápice de uma febre para se medicar, não é mesmo? Não precisamos esperar acontecer algo mais sério para percebermos a verdade e nos tratar”, destacou a psicoterapeuta.

Gabriela Molento explicou a necessidade de todos se auto-conhecerem. “É difícil olhar para a gente mesmo quando não nos damos conta do que a gente estamos fazendo. Nem sempre reconhecemos quando a outra pessoa fala algumas coisas sobre o seu comportamento e isso acontece justamente por você não estar trabalhando sua saúde mental. Infelizmente a gente dá mais valor para o que está acontecendo fisicamente, e não damos valor para o que a gente está sentindo, para o que está acontecendo em algum lugar que não é tão racional e tão visível, então quando o outro vê em mim e me aponta eu não estou enxergando, provavelmente eu vou achar que aquilo é um insulto, já que não estamos acostumados a fazer esse mergulho interno. E isso acontece bastante no ambiente de trabalho, em que passamos muitas horas convivendo com outras pessoas”, completou a psicóloga.


"O tratamento psicológico precisa ser desestigmatizado", afirmou Mariana

Mariana de Camargo também abordou a necessidade de desmistificar a necessidade de tratamento psicológico.  “Se cuidarmos do nosso corpo físico, porque não cuidar de nossas emoções? Trouxemos hoje o conceito do cuidado, do estar de cuidando, de ir ao terapeuta, ou em outras terapias alternativas. Geralmente as pessoas que cuidam de sua saúde mental acabam sendo estigmatizadas, classificadas como doentes ou  portadoras de algum transtorno, e não é essa a ideia, precisamos desmistificar isso também, a ideia real é do cuidado, pois não precisamos esperar perder relações, brigar com as pessoas, ficar trancado em casa, para só então procurar uma ajuda, não há problema algum em procurar essa ajuda antes porque faz parte do dia a dia, algumas coisas são mais difíceis e algumas épocas também”, acrescentou.

Sobre a abordagem junguiana, a psicoterapeuta Mariana de Camargo falou explicou alguns tópicos.  “Carl G. Jung era um psiquiatra e foi um dos primeiros psicólogos, parceiro do famoso e conhecido pai da psicanálise, Sigmund Freud. A abordagem junguiana trabalha muito com o inconsciente, a questão dos símbolos, a mitologia, seja ela grega, cristã, judaica, e outras religiões. Também focamos na personalidade com alguns conceitos criados por ele, o introvertido, o extrovertido, o complexado. Entendemos também que os sonhos são uma linguagem de acesso ao inconsciente e entender alguns caminhos a serem tomados para a resolução de problemas”, revelou.


Símbolos junguianos foram explicados por Gabriela Molento

Gabriela Molento também reforçou outros aspectos junguianos. “Ele fala também sobre o inconsciente coletivo e o inconsciente individual. O sonho acaba trazendo muitos símbolos e acessos que estão no inconsciente coletivo, e por meio do nosso desenvolvimento individual é possível acessar este inconsciente e isso te auxilia em alguma questão, temos as resposta dentro da gente. Jung traz isso muito claramente, outra comunicação que não estamos acostumados a fazer é essa interna que nos dá um caminho de como se entender, de como entrar em contato com a gente através desta linguagem que o racional não acessa tanto, é uma coisa mais de sentir. A abordagem junguiana nos dará esse caminho de como a gente faz isso de uma forma que a gente se situe e possa ter mais saúde mental e nesse aspecto a nossa vida muda muito quando começamos a tratar nossa saúde mental. Tudo muda e muita coisa muda ao nosso redor, assim como as nossas relações, nossa própria saúde”, enfatizou.

Carl Gustav Jung 

Psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica com seus trabalhos sobre os conceitos de personalidade. Por acreditar que a psique humana tem natureza simbólica utilizou o simbolismo como o foco de seus estudos. Sobre a simbologia escreveu O Homem e seus Símbolos, obra para leigos, organizada por Jung e escrita por ele e seus colaboradores, com artigos de Aniella Jaffé, Marie-Louise fon Franz e outros. Carl G. Jung tem mais de 30 obras publicadas, além da anteriormente citada. 

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