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Deputados debatem vazamentos da Lava Jato e PT clama por anulação da prisão de Lula

Imagem: Pedro Kemp foi o primeiro a usar a tribuna para questionar idoneidade das investigações que prenderam o ex-presidente Lula
Pedro Kemp foi o primeiro a usar a tribuna para questionar idoneidade das investigações que prenderam o ex-presidente Lula
11/06/2019 - 12:37 Por: Fernanda Kintschner e Christiane Mesquita   Foto: Luciana Nassar

A divulgação de conversas por mensagens de texto entre o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, com o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, feita pelo site The Intercept Brasil, foi tema de debate entre os deputados estaduais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, em sessão desta terça-feira (11).

A reportagem foi dividida em quatro partes – confira-as aqui. Quem subiu primeiro à tribuna para repercutir os diálogos e questionar a idoneidade das investigações da Lava Jato foi o deputado Pedro Kemp (PT). “Bem que o papa Francisco falou que a verdade ia prevalecer. O site deu uma enorme contribuição para história do Brasil revelando esse conluio. São mensagens gravíssimas, que colocam em xeque as investigações e mostram que a intenção era a prisão do [ex-presidente] Lula. Onde já se viu o juiz que julga, de combinados com quem denuncia? Isso mostra que era para que o Moro ganhasse a vaga de ministro. Ele não vale o prato que come”, criticou Kemp.

Para o parlamentar, as conversas comprovam que a prisão foi um ato partidário, uma vez que a condenação do ex-presidente Lula foi rapidamente confirmada em segunda instância, o tornando inelegível na corrida eleitoral de 2018, em que aparecia em líder nas pesquisas ou ainda a eleição do candidato Fernando Haddad (PT).

“Com isso impediu o PT de  ganhar, privou a liberdade do Lula, fez uma operação irresponsável criminalizando obras, criando desemprego, que agravou a crise econômica e eles [Moro e Dallagnol] deveriam pedir afastamento imediato. Eles têm que se explicar, porque prejudicou demais nosso partido”, ressaltou Pedro Kemp. O também petista, deputado estadual Cabo Almi, usou a tribuna para ler a nota do Partido dos Trabalhadores sobre o caso – leia-a na íntegra clicando aqui.

Em contrapartida, o deputado Capitão Contar (PSL) discursou na tribuna em defesa da Lava Jato. “A integridade e devoção patriótica dos envolvidos é inquestionável. Que credibilidade esse site tem? Isso é uma prova de desespero da esquerda. A quem interessa atacar a Lava Jato? Essa mesma técnica de atacar as investigações já foi usada na Itália, na investigação Mãos Limpas”, comparou o deputado.

Já o deputado Barbosinha (DEM) acredita que os fatos precisam ser investigados. “A prática do grampo precisa ser investigada. Eu defendo que todo sistema democrático brasileiro possa estar sendo desrespeitado pelo uso do grampo. A figura do juiz está sendo inerte. Quem movimenta um processo sabe que se houver alguma manipulação, tudo fica maculado. Precisa ser investigado desde o vazamento até o conteúdo”.

 

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11/06/2019 - Sessão Plenária
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